A colocação de uma foto (desenho) de Fernando Pessoa neste Blogue prende-se com o facto de eu recentemente ter estudado, ainda que superficialmente, esta personalidade misteriosa e criadora de mitos, que tantos intelectuais tem ocupado, e há-de ocupar por muitos e muitos anos, sem no entanto nos terem apresentado até hoje uma teoria redutora do seu pensamento, e por ela ter ficado inefavelmente fascinado.
Sobre Fernando Pessoa há teorias, não Teoria. Mas acredito que ele tinha uma Teoria.
Afirmar que Fernando Pessoa era ecléctico será, para os intelectuais, uma heresia. Mas eu não sou um intelectual, sou ignorante e, como tal, tenho direito ao erro.
Por outro lado se analisarmos a definição de «Eclectismo» avançada pela Diciopédia X, da Porto Editora, «atitude dos filósofos que pretendem elaborar doutrina própria, fundindo num todo, que desejam coerente, o que se lhes afigura mais valioso de entre as teses de diversos sistemas» talvez cheguemos à conclusão que não será um ‘pecado’ assim tão grande afirmar que Fernando Pessoa era um “Eclectíssimo” Senhor.
Deixo para mais tarde considerações mais profundas e aguardo que, ao longo do tempo, outras participações me apresentem, seja através de reflexões pessoais seja com base em conhecimentos científicos, outras perspectivas, outras interpretações, enfim, outros conhecimentos.
A vantagem da ignorância é o prazer de aprender.
Quanto à imagem escolhida passo a explicar.
Das muitas centenas de fotos que se encontram disponíveis no infindável mundo ‘internético’ (salvo os respectivos direitos autoriais, obviamente) decidi escolher esta caricatura (cujo autor desconheço) por vários motivos:
- Sendo uma caricatura a imagem transcende a personalidade que representa, e congrega todo o universo daqueles que se identificam, quer física quer intelectualmente, com Fernando Pessoa;
- Porque é a mais feia (como eu) que encontrei;
- Representa um F.P. narigudo (como eu), magro (como eu), com óculos (como eu) e é cinzenta (como eu).
Termino com uma pérola pessoana. O poema «Quando as crianças brincam» datado de 5 de Setembro de 1933.
«Quando as crianças brincam
E eu as oiço brincar,
Qualquer coisa em minha alma
Começa a se alegrar.
E toda aquela infância
Que não tive me vem,
Numa onda de alegria
Que não foi de ninguém.
Se quem fui é enigma,
E quem serei visão,
Quem sou ao menos sinta
Isto no coração.»
Se leram até aqui merecem que os saúde e os cumprimente.
Obrigado,
L.P.
